OPINIÃO | A transformação da EXPOFAZENDA em palco de privilégios políticos
Na última segunda-feira (24), foi lido durante a sessão plenária da Câmara de Vereadores de Fazenda Rio Grande, o projeto de lei 045/2025, que não só altera a data de realização da EXPOFAZENDA, mas inclui um espaço privilegiado a classe política do município, sendo imediatamente rechaçado pela população em vários veículos de comunicação local. O que mais chamou a atenção foi o fato da lei antiga não ter espaço destinado a nenhuma categoria política, ou seja, a câmara que está criando esse espaço que ao que tudo indica, terá características de um olimpo, apartando ainda mais os políticos da população.

A alteração do §3º da lei que institui a EXPOFAZENDA representa um retrocesso evidente e acende um alerta sobre a instrumentalização político-eleitoral de um evento que deveria servir exclusivamente ao interesse público. Ao reservar, “sem custos”, um espaço exclusivo para o Prefeito e demais autoridades — enquanto destina outro à Câmara — o texto modificado abandona qualquer preocupação com isonomia e transforma a feira em vitrine institucional.

O problema é simples: não há justificativa técnica, operacional ou econômica para essa mudança. Ela não melhora a organização do evento, não amplia sua capacidade turística, não fortalece o setor produtivo e não traz benefício algum ao cidadão. Pelo contrário, cria privilégios desnecessários em um evento financiado com dinheiro público.
A EXPOFAZENDA, que deveria ser uma vitrine de desenvolvimento, inovação e agricultura, corre o risco de ser reduzida a um corredor de autopromoção política. A alteração do §3º parece ter como único objetivo garantir presença de destaque às autoridades municipais — algo que nada acrescenta à experiência dos visitantes e ainda prejudica a imagem de neutralidade do evento.
Em um município que enfrenta desafios reais de infraestrutura, segurança, mobilidade e gestão, discutir reserva de espaços privilegiados para autoridades em uma feira pública é, no mínimo, um sintoma de prioridades distorcidas. A política pública perde seu foco quando passa a olhar mais para si mesma do que para a população.
Em termos práticos, a mudança enfraquece a credibilidade da EXPOFAZENDA, desperdiça capital institucional e reforça a percepção de que o evento, antes um patrimônio da comunidade, pode virar instrumento de promoção pessoal. É uma alteração que deveria ser revista — não apenas por questão de coerência administrativa, mas por respeito ao interesse coletivo.
INFORMATIVO FAZENDA





