Confronto com suspeito armado com faca é considerado intervenção legítima diante de ameaça iminente, apontam especialistas
A morte de um homem após confronto com a Polícia Militar no fim da noite desta segunda-feira (16), na Rua Curitiba, bairro Santa Maria, em Fazenda Rio Grande, reacendeu um debate recorrente sobre ocorrências envolvendo suspeitos armados com faca e o uso da força policial.
Segundo informações, o homem teria invadido uma residência portando uma faca. Equipes da Polícia Militar foram acionadas e, durante a tentativa de abordagem, o suspeito teria avançado contra os agentes. Diante da ameaça, os policiais efetuaram disparos. O homem foi atingido e morreu no local.

Especialistas nacionais em segurança pública explicam que, mesmo quando o suspeito não possui arma de fogo, a situação pode ser classificada como confronto. Isso ocorre porque a definição de confronto não depende da igualdade entre os armamentos utilizados, mas sim da existência de uma ameaça real e imediata à vida.
Uma das bases técnicas mais citadas na doutrina policial é a chamada Regra dos 7 Metros, também conhecida como Regra de Tueller. O conceito aponta que uma pessoa armada com faca pode percorrer cerca de sete metros em aproximadamente 1,5 segundo — tempo semelhante ao necessário para que um policial saque a arma, faça a mira e efetue um disparo. Dentro dessa distância, a faca passa a representar risco letal imediato.
Além disso, especialistas destacam que armas brancas possuem alto potencial de letalidade, já que golpes podem atingir regiões vitais do corpo, como artérias importantes, capazes de causar morte em poucos minutos. Outro fator considerado é a dificuldade de imobilizar um agressor armado sem que haja risco significativo de ferimentos aos agentes ou a terceiros.
Dentro dos protocolos policiais, aplica-se o chamado uso progressivo da força, que prevê respostas proporcionais à ameaça apresentada. Em situações nas quais o suspeito apenas porta a faca e mantém distância, priorizam-se técnicas de negociação e o emprego de instrumentos menos letais. Contudo, quando há avanço ou tentativa de ataque, a intervenção pode evoluir para o uso de força letal com o objetivo de interromper a agressão.
Especialistas ressaltam ainda que o termo “confronto” não exige troca de tiros entre as partes. Basta que exista resistência ativa armada capaz de colocar vidas em risco iminente para que a ocorrência seja tecnicamente caracterizada dessa forma.
As circunstâncias do caso registrado em Fazenda Rio Grande seguem sob apuração das autoridades policiais.
Da Redação às 09h49





