Relatório de auditoria aponta inconsistências após morte de paciente adolescente em hospital de FRG

Um relatório da Auditoria Médica Municipal apontou inconsistências documentais relacionadas ao atendimento de uma paciente adolescente que morreu após procedimento realizado no Hospital e Maternidade Nossa Senhora Aparecida, em Fazenda Rio Grande, em dezembro de 2025.

De acordo com o documento técnico, obtido pelo IF, a paciente, que possuía comorbidades neurológicas, foi submetida a um segundo procedimento urológico endoscópico e evoluiu para óbito menos de 12 minutos após receber alta da sala de recuperação anestésica.

A auditoria identificou uma série de apontamentos administrativos e clínicos que antecederam o desfecho. Entre eles, está a utilização de exames de imagem antigos na segunda solicitação cirúrgica, apresentados como se fossem atuais, sem atualização após o primeiro procedimento realizado meses antes.

O relatório também aponta a ausência de informações relevantes sobre o histórico cirúrgico da paciente na documentação encaminhada para a nova intervenção, incluindo procedimentos anteriores e condições que poderiam elevar o risco cirúrgico.

Outro ponto destacado foi o registro de que a decisão pelo segundo procedimento teria sido programada ainda durante a realização da primeira cirurgia, sem período de observação clínica posterior ou exames de controle pós-operatório, situação considerada em desacordo com diretrizes técnicas citadas no documento.

Imagem: Extraída do relatório

Segundo a auditoria, o óbito não aparece detalhado nos registros clínicos oficiais do Sistema Único de Saúde (SUS), constando apenas como código administrativo no espelho da Autorização de Internação Hospitalar (AIH), sem preenchimento de campos relacionados às causas associadas.

As circunstâncias clínicas do falecimento, incluindo episódios sucessivos de parada cardiorrespiratória, teriam sido identificadas apenas por meio da análise do prontuário interno do serviço hospitalar.

O médico auditor chegou a informar a direção do hospital e também a Secretaria Municipal de Saúde, mas segundo ele, os apontamentos foram ignorados. O IF questionou a pasta e aguarda retorno.

Da Redação às 19h38

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